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Pavimentação: o que há por baixo do asfalto esburacado

A CNT, Confederação Nacional do Transporte, apresentou em sua última publicação que apenas 12,4% da malha rodoviária brasileira possui pavimentação.

O Anuário CNT do Transporte, do ano de 2018, informou que o Brasil possui 1.720.700 quilômetros de estradas. 

Desse total, apenas 213.452 quilômetros são pavimentados e desses 92,7% possuem pistas simples.

Ainda com relação às rodovias pavimentadas, o relatório apresenta informações que 61,8% das vias pesquisadas apresentam algum tipo de problema.

São necessárias respostas urgentes para os questionamentos a respeito da má qualidade de nossas estradas.

Esse artigo visa minimizar essas dúvidas, apresentando o que existe por baixo da pavimentação e as dificuldades de trabalhar com o transporte rodoviário no Brasil. Continue lendo e confira!

Os opostos e as dificuldades do transporte

Apesar das limitações existentes nas rodovias brasileiras, vive-se uma situação oposta com relação à frota de veículos no Brasil.

Segundo os mesmos estudos, desenvolvidos pela CNT, o país possui uma frota de veículos de quase 100 milhões e o crescimento tende a continuar.

Enquanto a infraestrutura apresenta dados alarmantes em termos de rodovias em condições ideais de transporte, a produção e venda de veículos não para de crescer.

Esse déficit de infraestrutura acarreta prejuízos seríssimos para toda a sociedade.

Segundo o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, a situação atual eleva os custos de transporte de carga em 27% na média.

A estrutura da pavimentação 

Reconhece-se que abrir e fazer a pavimentação de estradas é um trabalho que exige recursos financeiros e estudos.

No entanto, a malha rodoviária brasileira está chegando ao limite de sua utilização e as rodovias suportam a circulação de veículos muito acima da qual foram projetadas.

A pavimentação das estradas consiste resumidamente, em cinco diferentes ações que permitem que o asfalto proporcione segurança e conforto aos motoristas e transeuntes.

1 – Subleito

O subleito é constituído do próprio terreno por onde passa a estrada, portanto, é a camada que irá suportar todo o peso e estrutura que será construída acima, além dos veículos que por ali circularão.

É necessária uma análise minuciosa do solo e serviços de terraplenagem e prensagem dessa camada para que possa suportar as outras.

2 – Sub-base ou base granular

A sub-base é uma camada de transição construída entre o subleito e a base. 

É conhecida como camada de reforço e é fundamental para que a pavimentação asfáltica tenha uma vida útil dentro do esperado: entre 8 e 12 anos.

Nessa camada são colocadas pedras de 7 a 10 centímetros de diâmetro. 

Os espaços são preenchidos com pó de pedra e compactados com o rolo compressor.

3 – Base

A base é constituída de pedras menores, entre 2 e 5 centímetros de diâmetro, e asfalto diluído que impermeabiliza e dá liga à camada.

Na parte superior da base, é aplicada uma película chamada emulsão asfáltica que fará a adesão dela com o leito (revestimento asfáltico).

4 – Leito

O leito é a camada de asfalto propriamente dita, também é conhecida como revestimento de concreto asfáltico.

O asfalto é um produto derivado do petróleo que fica grudento quando atinge os 50 °C. 

No seu resfriamento ele endurece e se prende à base, formando o leito asfáltico.

Atualmente, para elevar a vida útil da estrada, são inseridos no asfalto aditivos químicos e restos de pneus que podem oferecer uma durabilidade de até 30 anos.

5 – Pista

A partir de todos esse processo, obtém-se a pista de rodagem, que é o local por onde os veículos irão transitar.

Existe ainda o acabamento da obra que precisa ser feito que é quando o rolo compressor faz a compactação final, a aquisição e marcação de sinalizações e possíveis correções.

Como se observa, o trabalho é intenso e exige esforço, no entanto, obras bem desenvolvidas com produtos de qualidade permitem que, por um bom tempo, a estrada permaneça em condições seguras para o tráfego.

Como no Brasil o modal que domina a área de transporte de carga é o rodoviário, é necessário que as estradas estejam em condições de absorver o volume de produtos transportados por todos os cantos do país, todos os dias.

Enquanto isso não acontece da maneira adequada, os custos e prejuízos acabam sendo incorporados aos preços das mercadorias e transferidos para o consumidor.

Se você gostou desse artigo, que tal conhecer também a respeito de Investimentos na Amazônia: como está prevista a infraestrutura da região?

3 thoughts to “Pavimentação: o que há por baixo do asfalto esburacado”

  1. Acredito que os profissionais dessa área, unidos com outras área, poderiam buscar soluções que não fosse somente a aplicação de asfalto.
    Nossas cidades estão ficando cada vez mais impermeáveis, onde as águas das chuvas não tem outra alternativa de saídas, e com nossa rede de esgoto em péssimos estados não estão dando suporte e compromete a base criada para dar sustentação ao asfalto.
    É preciso se pensar, de forma sustentável, e buscar alternativas mesclando o uso de materiais resistentes e permeáveis, como está se discutindo no site “http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/cidades-para-pessoas/2012/11/21/asfalto-um-material-brilhante-mas-uma-solucao-estupida/”

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