Você sabe o que é um “twistlock”?

Algumas pequenas descobertas e avanços da tecnologia passam completamente despercebidos em nosso cotidiano, mas sem eles nossa vida nos dias de hoje seria praticamente impossível. Um desses casos, no segmento de logística, é uma peça chamada “twistlock”. Você pode nunca ter ouvido falar, mas no dia a dia de um terminal portuário, esse equipamento é mais comum do que se pode imaginar.

Comecemos pelo nome. De origem inglesa, a palavra sugere dois significados ao mesmo tempo: ‘twist’ implica algo que gira ou se move, enquanto que ‘lock’ dá a dica, a peça provavelmente funciona como uma trava ou algo parecido. Bem, trata-se mesmo de uma trava e basta dizer que, sem ela, o transporte de contêineres em navios, com imenso empilhamento, seria praticamente impossível. Se pensarmos um pouco mais a fundo, talvez a pergunta viesse à cabeça: afinal, como fazem para “prender” aquilo tudo de contêiner em cima de navios cargueiros? Está aí sua resposta.

Difícil de visualizar? Observe então a imagem no topo deste post. Onde a seta aponta o item 1, você vê a aresta de um contêiner e pode notar que ela está encaixada de algum modo em um suporte. As arestas dos contêineres possuem cantos com furos, chamados em inglês de “corner castings”, os quais são feitos exclusivamente para encaixe nos twistlocks dos navios e de outros contêineres. No item 2 da figura, é possível ver um twistlock vazio, sem nenhum contêiner encaixado. É claro que todo cuidado é pouco, e como também é possível ver na imagem, além das travas a acomodação dos contêineres também é feita com cabos e amarras. Por causa dessas “pequenas” peças (nem tanto, algumas delas possuem mais de um metro de diâmetro) é possível ver navios cargueiros com pilhas de contêineres do tamanho de cidades.

Mas e os contêineres dos próximos níveis, que não estarão em contato direto com o navio? Bem, aí entram os twistlocks móveis. Mais peças móveis são encaixadas nos ‘corner castings’ das arestas superiores de cada contêiner, fornecendo suporte para os próximos contêineres que serão empilhados nos níveis superiores. Pode-se dizer que toda essa carga, embora não de forma visível, está intertravada. Com o advento dos ‘twistlocks’, é como se toda a pilha de contêineres sobre um navio se tornasse uma única caixa gigante, com peças encaixadas e travadas umas às outras. Na figura abaixo é possível ver algumas dessas peças soltas.

Automatic_twistlock

 

Mais de 50 anos de história

Essa peça, hoje essencial no transporte de cargas via contêineres, foi inventada ainda na década de 1960 por um americano chamado Keith Tantlinger. Após passar o período de guerra projetando ferramentas de uso militar, sobretudo para bombardeiros, Tantlinger resolveu atuar na área de transporte conteinerizado logo após o final da Segunda Guerra Mundial.

A ideia era criar gruas e guindastes padronizados, que pudesse retirar os contêineres e colocá-los em caminhões e no porto sem a necessidade de abertura e descarga de seus volumes. Após a padronização dos contêineres, Tantlinger criou uma peça simples e móvel, uma espécie de conector, que permitia travar os contêineres não apenas na superfície dos navios, mas também uns aos outros – a patente, de 1967, pode ser facilmente encontrada no Google.

 

admin
thiago.paim@cargobr.com
2 Comentários
  • Ricardo Santos
    Posted at 12:22h, 06 março Responder

    Muito bom!

    É importante lembrar que estas “travas” devem ser rigorosamente fiscalizados nas estradas também.

    Abraço,
    Ricardo Santos

  • Cleder Rosa
    Posted at 13:48h, 07 março Responder

    Felipe, muito boa a matéria.
    Aprendi mais ainda com toda essa explicação/fotos.

    Valeu.
    Forte abraço.
    Cleder Rosa.

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