Vendas de caminhões desaceleram

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publicado: 9/07/2014
vendas

Vendas despencam no primeiro semestre

O boletim da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) de julho traz uma notícia nada boa para o mercado de cargas – as vendas de caminhões despencaram 12% nos primeiros seis meses deste ano, e com isso, montadoras reduziram em quase 19% seu volume de produção. Foram 64,6 mil caminhões vendidos no mercado nacional nos seis primeiros meses deste ano, contra 74 mil em igual período do ano passado. A despeito da escassez de veículos e motoristas no mercado para transportes de uma série de produtos e mercadorias, os números da Anfavea indicam que, no ano que vem, o problema de falta de veículos e frota reduzida podem também afetar o mercado de cargas urbanas, não apenas o de veículos para o transporte de grãos ou granéis sólidos.

Indo a fundo nos números de vendas disponíveis na Anfavea, podemos descobrir que o maior queda no volume de vendas de caminhões – cerca de 27% – ocorreu no mercado de semileves e leves. Isso significa que o volume de VUCs e caminhões de pequeno porte para cargas urbanas caiu seriamente, o que na verdade seria quase um contrassenso, uma vez que a demanda por transporte urbano de cargas tem aumentado sistematicamente, principalmente com o avanço do e-commerce e maior demanda pelo transporte de cargas fracionadas. Ainda assim, transportadoras e empresas de logística parecem pouco dispostas a renovar ou aparelhar suas frotas, mesmo com esforços do governo para manter de vez a isenção do IPI nas vendas de caminhões. Com o aumento da demanda por cargas urbanas e fracionadas nas capitais, motivado pelo consumo e pelo crescimento de setores como o e-commerce, talvez o “apagão” logístico venha a afetar também o segmento urbano de cargas até 2015.

Ainda segundo os dados da Anfavea, a produção de caminhões recuou 18,8% no período – com reduções maiores ocorrendo para os semileves (-42,5%), médios (-25,9%) e semipesados (-23,2%). A notícia não chega a ser tenebrosa e tanto montadoras quanto analistas do segmento esperam alguma recuperação no segundo semestre. Contudo, a julgar pelo apoio governamental em termos de crédito, financiamento e isenção tributária para a compra de caminhões e carretas, é difícil acreditar que transportadoras venham a optar por alguma forte renovação até o ano que vem.

Adiamentos

A despeito da crença em recuperação para a segunda metade do ano, os planos de novas montadoras e para a inauguração de fábricas vêm sendo adiados sistematicamente. A DAF, que abriu uma nova fábrica em Ponta Grossa (PR) ainda durante o ano passado, acabou deixando o início da produção de caminhões extrapesados para 2015 – sendo que os planos iniciais previam o start da produção para 2014. A Metro-Schacman também decidiu atrasar em um ano a inauguração de sua fábrica em Tatuí, no interior paulista, antes anunciada para o segundo semestre de 2014.

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