Frete grátis existe?

Uma das estratégias de venda de lojas virtuais é o frete grátis, e de fato essa frase atrai consumidores e curiosos, trazendo retorno para o e-commerce. O problema é que não existe serviço sem custo, existem alguns artifícios para aumentar o número de acessos e de compras nos sites e o frete grátis é um deles.

Como surgiu o frete grátis?

A política de frete grátis surgiu no começo do e-commerce nos Estados Unidos, lá em meados de 90. Para estimular as compras pela internet, que ainda não eram populares, criaram uma estratégia de frete gratuito, onde quem optasse pela compra online receberia sua mercadoria em casa e sem custos adicionais.

Quando as lojas virtuais vieram para o Brasil, perto dos anos 2000, o modelo de negócios se baseou na experiência americana e também passou a oferecer o frete grátis, porém o custo com transporte aqui é muito maior do que nos EUA, aliado com um planejamento logístico falho fez com que muitas lojas virtuais tivessem uma margem pequena de lucro.

Por fim, quem paga o frete que é grátis?

Muitas vezes você mesmo. Algumas empresas embutem o valor do frete na nota, fazendo uma média de custo de logística com determinado artigo e aumentando o valor final do produto.

Algumas vezes a empresa arca parcialmente com os valores, mas normalmente essas empresas têm parceria com transportadoras que fazem esse serviço com valor abaixo de mercado, com qualidade abaixo e entrega fora do prazo estipulado.

E o que as empresas tem feito?

O frete grátis vem caindo a cada ano, as empresas têm repassado esses custos aos clientes. Vem surgindo uma nova política de frete, onde é ofertado diversas opções de entrega de uma mesma mercadoria. Se você precisa do produto com urgência, normalmente poderá optar pela entrega no mesmo dia, se tiver disposto a pagar um pouco mais por isso, se não tiver pressa poderá optar pelo valor de frete mais em conta.

Mas lembre-se: nenhuma transportadora está entregando sua mercadoria sem custos, isso não existe. Todo o frete exige uma cobrança, o que muda é por qual caminho a empresa que você comprou cobrará.

Frete e e-commerce – uma equação perigosa

Quem tem um e-commerce ou uma loja online precisa diariamente conviver com os custos de frete para clientes e o impacto que isso possui em seu negócio. Excelentes margens de lucro podem ser achatadas ou até sumir, caso você não realize os cálculos da maneira correta. Há diversos casos nos quais o frete acaba sendo usada como vantagem comercial sobre a concorrência, mas isso pode ser uma faca de dois gumes…

Cuidado com o frete grátis no e-commerce

O frete grátis é uma prática comum entre lojas online mais fortes para atrair clientes, mas em alguns casos ele pode sumir completamente com a margem em alguns produtos. As vendas podem aumentar, mas isso pode gerar um problema ainda maior: se você vende com prejuízo, quanto mais vender, pior será. Além disso, ao colocar promoções sem cobrança de frete, você acaba acostumando “mal” seu cliente. Ele passa a esperar o benefício de forma automática e, quando você se vê obrigado a cortar o desconto, acaba perdendo a clientela. O e-commerce é uma atividade que exige que cálculos sejam bem feitos – o menor erro pode botar tudo a perder.

Outra: a possibilidade de frete grátis exige que seu cliente possua um tíquete-médio alto. Se você tem uma loja que vende produtos e artigos de pouco valor agregado, eximir o cliente do frete significa que, às vezes, você estará pagando pelo transporte quase o mesmo que o cliente pagou pelo produto! Um absurdo que apenas o e-commerce pode criar para você. A melhor política, em todos os casos dentro de um sistema de e-commerce, é calcular tudo no lápis, e se possível produto por produto.

Transportadoras especializadas

Muitos utilizam a solução dos Correios específica para e-commerce. Ela funciona, mas depende do que você irá transportar e em que volume. Algumas transportadoras possuem, contudo, políticas e produtos específicos para o segmento, muitas delas inclusive podem ser contratadas por meio do sistema de cotação de fretes da CargoBR. Um fornecedor especializado entende as necessidades e desafios particulares do segmento de e-commerce, e poderá ajudá-lo a calcular e dimensionar melhor seu negócio.

Políticas por região

O próprio frete grátis pode ser uma boa, assim como o uso de modais eventualmente mais caros, como o aéreo – tudo depende de “pra onde” você irá embarcar. Varie fornecedores e estude possibilidades de forma regional: cada rota e região precisa receber atenção distinta, para que no final de tudo você possa usufruir de lucros ao embarcar qualquer produtos e para qualquer região.

E-commerce – por que alguns produtos demoram tanto a chegar?

Você provavelmente já comprou algum eletrodoméstico, móvel ou bem durável online, e adivinha? Prazos de entrega chegam a ser de 30, 40 dias ou até mais. Por que isso acontece, você provavelmente está se perguntando? A cadeia de produção, venda e entrega do produto às vezes não é clara para o cliente final e muitas reclamações podem surgir por conta disso.

Sem dúvida, não parece nada razoável esperar 40 dias por algo que você já pagou, mas basicamente dois fatores principais explicam a origem dessa demora:

  • Distância do fabricante;
  • Esquema de produção.

Primeiramente, imagine que você está na cidade de São Paulo. Os principais fabricantes de móveis do país, especialmente planejados, estão localizados nos estados da Região Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul. Se o móvel que você comprou estivesse totalmente pronto para entrega, ainda levaria vários dias até que o pedido fosse processado e pudesse chegar até São Paulo, de caminhão. O mesmo ocorre com eletrônicos – vários deles são produzidos na Zona Franca de Manaus e precisam passar por vários modais de transporte até chegar a São Paulo. Ainda que estejam disponíveis em estoque, esses produtos levam dias ou semanas para chegar a seus destinos.

Contudo, há uma outra variável além da distância: o esquema de produção. Com o objetivo de evitar estoques desnecessários, que geram custos e aumentam as probabilidades de quebra, extravio e danos aos produtos, fabricantes de bens desse gênero apenas iniciam a produção de um item no momento em que o pedido é de fato efetuado. Ou seja, você compra no e-commerce, a loja envia o pedido e somente a partir daí o fabricante inicia a produção do material. Em épocas nas quais o fabricante está demandado, isso significa que seu produto entrará em uma espécie de “fila de produção”.

Itens demais para gerenciar

O segmento de e-commerce faz isso por uma questão muito simples. Ao contrário de lojas, a maioria deles não dispõe de espaço físico para manter todos esses produtos estocados. O risco e o custo simplesmente não valem a pena. A solução mais fácil é expor esse item online, efetuando o pedido junto ao fabricante no momento da compra. O fabricante então envia o produto produzido para um centro de distribuição da loja, que apenas segura o produto alguns dias, até que a entrega seja feita.

No caso de móveis planejados, a espera tende a ser maior ainda. Isso porque nem todos os produtos vendidos têm exatamente as mesmas características. Mesmo as lojas de e-commerce, hoje em dia, permitem alguma customização. Isso significa que o fabricante, além de colocar seu produto “na fila”, precisa de peças e componentes diferentes para montar o pedido de cada cliente. Parece complicado, e na verdade é. Imagine que um e-commerce tradicional trabalha com um portfólio de milhares de produtos – e simplesmente mantê-los todos em estoque exigiria enormes gastos com espaço e organização.

Lojas de e-commerce costumam contornar o problema cedendo frete gratuito para seus clientes, ou efetuando entregas agendadas, para maior comodidade.