Por que saber o mínimo de logística?

Essa é uma bela pergunta para qualquer empresário. Você vende seus produtos, cota o frete (quem sabe usando a ferramenta da CargoBR) e despacha para o cliente. E fim, certo? Na verdade, muitas vezes esse final não é tão feliz assim. A culpa, de quem é, não importa. Seu cliente acaba não recebendo a mercadoria, ou recebendo-a com atrasos, e quem paga o pato é você. Talvez se você entendesse um pouquinho mais sobre a logística de seus produtos, problemas desse tipo poderiam ser evitados.

Entender os processos que ocorrem entre o momento da venda e o recebimento do produto pelo cliente é algo de essencial para seu negócio. Às vezes, um problema detectado com horas de antecedência pode ser facilmente resolvido com medidas como o reenvio, um contato direto junto ao cliente, ou uma solicitação de retorno junto à transportadora. Compreender o processo a fundo, ainda que você o esteja terceirizando, é uma prática que pode evitar problemas como:

  • Atrasos no recebimento por parte do cliente.
  • Falhas e erros na documentação.
  • Problemas de embarque e desembarque, ou dificuldades que possam estragar seu planejamento.
  • Posições de estoque e inventários.
  • Rotas de maior dificuldade ou com problemas.
  • Desperdícios e danos a produtos e remessas.
  • Cobranças de extras ou indevidas.
  • Cobranças de impostos por atraso no recolhimento ou erro no preenchimento de guias e documentos.

Conhecer o processo e a logística não apenas pode tornar seu negócio mais eficiente, mas também pode reduzir seus custos. Erros, desperdícios, atrasos e problemas na entrega, muitas vezes, são fatores que tornam a margem de lucro em determinado produto praticamente inexistente.

Que informações procurar?

Não é preciso que você se torne um “expert” em logística, mas é necessário que você esteja sempre em linha com informações da transportadora e clientes, e alguns conceitos e procedimentos devem ser de seu total conhecimento, entre eles:

  • Forma e método de acomodação da carga fracionada e volumes em caminhões e meios de transporte.
  • Manuseio de produtos em armazéns e terminais.
  • Embalo e detalhes técnicos, como o coeficiente de empilhamento.
  • Cubagem e cálculos de custos e remuneração a transportadoras.
  • Documentação e emissão de guias.
  • Detalhes contábeis referentes à estocagem e movimentação de produtos.

Parece coisa demais, mas tudo em prol da saúde de seu negócio. Seu cliente agradece, a transportadora agradece, mas principalmente: seu bolso agradece.

Cuidado, os Correios não servem para tudo…

Grande parte das remessas e transportes no Brasil são feitas pelos Correios, como não poderia deixar de ser. Além de prestadora mais tradicional e empresa pública, os Correios possuem exclusividade em alguns tipos de remessa e sim, preços muito bons em muitos casos para envio de mercadorias e fretes leves. Mas se você APENAS usa os Correios pode estar perdendo dinheiro.

Pesquisar preços com fornecedores é algo vital para qualquer empresa, porém quando se trata de serviços como o Sedex, pequenos empresários apenas aceitam os preços dos Correios como sendo os mais vantajosos – mas isso nem sempre ocorre. Os Correios, apesar de públicos, são uma empresa com custos e formação de preços como todas as demais e em algumas regiões, rotas e nichos, transportadoras privadas simplesmente conseguem fazer preços muito mais baratos.

Quando pesquisar?

Nós diríamos sempre: é possível ter uma ideia dos preços praticados por transportadoras para determinada rota e remessa em menos de um minuto. Aqui na CargoBR, por exemplo, disponibilizamos cotações com transportadoras em tempo real para sua carga. Basta ingressar em nosso site, cadastrar sua carga e, em alguns segundos, você terá cotações em tempo real de várias transportadoras diferentes. Depois, basta comparar com o valor que você pagaria nos Correios.

É claro, uma boa parceria com os Correios, especialmente se você atua no comércio online, é essencial para sua empresa, mas sempre realize cotações, de tempos em tempos, para saber se alguma rota ou operação pode ser barateada com o uso de um fornecedor ou transportadora privados. Você se surpreenderá com como os preços podem ser mais em conta em alguns casos.

Onde os Correios sempre ganham?

Claro, há rotas nas quais os Correios são imbatíveis. Regiões mais inacessíveis, de difícil acesso ou com poucas opções de modais e rotas devem geralmente ser deixadas por conta dos Correios. Com agências em praticamente qualquer lugar do país, os Correios conseguem de um modo ou de outro entregar produtos que muitas transportadoras simplesmente falham em transportar ou cobram extras caros demais para tornar a remessa viável. Entretanto, esse tipo de entrega é praticamente uma exceção para a maioria das empresas, que em geral atuam com clientes em grandes centros urbanos para 80% ou 90% de suas vendas.

Os Correios também possuem algumas facilidades para parceiros que podem tornar remessas mais baratas. O problema, nesse caso, é um só – os Correios são enormes, então para que você tenha alguma vantagem representativa de custo em parcerias, é preciso lidar com volumes muito, mas MUITO grandes.

 

O peso não é nada – a cubagem é tudo

A cubagem é um dos fatores mais importantes no mercado logístico atual – seu cálculo e a forma com que você deve proceder para chegar à cubagem do seu material já foi abordada por aqui. Contudo, apesar de sempre termos de descrever o peso da carga, por questões técnicas, o fato é que a cubagem, que tem muito mais a ver com as dimensões de um produto, é muito mais determinante no custo de um serviço de carga fracionada.

A razão é muito simples, apesar de sermos levados a crer que o peso tem uma importância maior, se considerarmos nossas visitas a agências dos Correios.

Pense como no “Lego”

Isso mesmo. Imagine que você possui uma determinada carga. O caminhão que a transportará possui um espaço retangular, de dimensões pré-determinadas. Para que sua carga, ou sua “peça”, encaixe melhor no restante das peças que estarão nesse mesmo veículo, ela precisa estar reduzida a cubos ou paralelepípedos. E quanto ao peso?

É claro que mercadorias pesadas demais possuem um custo maior de transporte, mas de um modo geral, é muito mais comum que transportemos cargas relativamente leves que ocupam enormes dimensões do que o inverso. Por isso mesmo, empresas trabalharam ao longo das últimas décadas para reduzir os tamanhos de embalagens, aproveitando muito melhor o volume dentro de caixas e reduzindo os “vazios”. Afinal, quando embarcam a mercadoria, as empresas estão pagando também por esse espaço inutilizado.

A matemática é simples – quanto menor o espaço cubado ocupado, mais produtos irão ser acomodados em um mesmo espaço – o baú de caminhões, nesse caso. Nesse ponto, a cubagem é a unidade que permite a você colocar caixas e volumes como se fossem peças de Lego, otimizando o transporte, carregando de forma mais eficiente e reduzindo custos de forma considerável.

Corrigindo desperdícios

Por outro lado, o chamado “peso cubado” – resultado final do cálculo de cubagem – tem uma função muito mais simples. Imagine se, montando seu “Lego” dentro de um caminhão, você ocupasse todo o espaço com caixas de produtos em isopor ou algodão. As transportadoras, que usam o peso para calcular os fretes, estariam perdendo rios de dinheiro. Contudo, a cubagem estabelece um peso padrão conforme as dimensões fornecidas por você. Mesmo que uma caixa de um metro cúbico pese apenas 40kg, o que faria com que seu transporte simplesmente não valesse a pena para a transportadora, quando suas dimensões são “cubadas”, o peso passa a ser de 300kg, para efeitos de cálculo e custos.

Não é injusto para o embarcador, que realmente está utilizando um enorme espaço de transporte, mas também remunera com justiça o transportador, que poderia estar carregando um peso muito maior nesse mesmo espaço. É claro que o contrário também pode ocorrer – cargas muito pesadas, mas de dimensões reduzidas, acabam revertendo em vantagens para o cliente. A cubagem, acima de tudo, é um modo de padronizar o peso, uma variável em cargas, e alinhá-lo com o espaço, que sempre é fixo.

 

 

O que esperar do transporte com drones?

Os drones já se tornaram uma tecnologia relativamente consolidada. Hoje, esses pequenos robozinhos podem ser encontrados por preços que atraem até mesmo o público final. Nos Estados Unidos, já é possível adquirir bons drones por preços inclusive abaixo dos 500 dólares, ou seja, mais barato que um iPhone em alguns casos. Equipados com câmeras de última geração e com dispositivos de controle integrados com a web, aparelhos mobile e computadores, os drones têm atraído não apenas a atenção dos curiosos por tecnologia, mas também de empresas de diversos setores, entre eles o transporte.

Não apenas a Amazon vem realizando testes com o uso de drones para a entrega de pequenos volumes, mas também várias empresas de todo o mundo, inclusive operadores logísticos renomados, como a Fedex, além de companhias aéreas. Esses robozinhos, é bem verdade, possuem ainda limitações em termos do volume transportado, mas se pensarmos direito – 90% das compras online envolvem pequenos volumes ou mercadorias leves.

Então teremos drones circulando em breve?

A despeito da evolução nos experimentos e testes, essa possibilidade é pouco provável, como inclusive dizem especialistas e as próprias empresas que realizam esses testes. Alguns dados ainda são incertos – por exemplo, qual o custo de manutenção desses equipamentos e até que ponto são confiáveis para realizar centenas ou milhares de viagens?

O mais provável, indicam especialistas, é que a entrega em drones primeiramente seja incluída como opcional. O cliente pagaria um pouco mais para receber sua carga em um drone. Isso seria possível também somente em localidades que estivessem dentro do raio de autonomia de voo dos equipamentos, o que hoje dificilmente excede alguns quilômetros. Pode parecer estranho, mas certamente a entrega opcional, ainda que cara, deverá atrair muitos entusiastas, apenas pelo prazer de ver seus produtos chegarem em um robozinho voador, com hora marcada e nas janelas e varandas de seus edifícios.

Um outro entrave ainda é o preço – embora o custo unitário dos drones tenha caído substancialmente, eles ainda são caros, especialmente levando em conta as alterações que são necessárias para que eles trafeguem com cargas. Além disso, uma empresa que anuncie o transporte em drones precisará de dezenas ou centenas dessas máquinas e passará a contar com menos leniência de seus clientes para atrasos e erros de entrega. Isso poucas empresas de transportes parecem querer assumir.

Quanto tempo mais?

É difícil dizer. Especialistas afirmam que serviços frequentes de entrega por drones não aparecerão em menos de 5 anos e que a consolidação do robozinho como alternativa de transporte virá em apenas 10 anos. Até lá, as novas gerações de drones deverão apresentar mudanças significativas para adequação ao segmento logístico: integração com sistemas de TMS e WMS, melhoria dos sistemas autônomos de geolocalização, baterias de maior duração, armações mais robustas para manuseio de cargas, e muito mais.

Certamente teremos o drone como alternativa daqui a algum tempo, porém o mais provável é que não sejam “exatamente” os drones que vemos hoje em vídeos na internet.

Como Identificar Tendências de Alta nos Fretes

Uma série de variáveis pode influir no preço dos fretes – algumas delas criam altas que impactam em todo o setor de transportes, mas outras afetam apenas determinados mercados e regiões. Como cliente de transportadoras, é importante que você saiba identificar e antecipar aumentos ou reajustes, o que permite a você fechar negócios com antecedência ou, na curva de baixa, postergar embarques para reduzir custos de transporte.

Uma alta nos fretes é algo que, em geral, não está vinculado apenas a movimentos de aumento e redução de demanda ou oferta. Principalmente os custos das transportadoras possuem um impacto direto e geralmente automaticamente repassado aos clientes e embarcadores. Épocas com maior demanda por caminhões e navios obviamente apresentam preços maiores nos fretes de um modo generalizado, mas esses movimentos geralmente são sazonais ou indicados pelo desempenho de outros setores. O que você precisa é rastrear itens que afetem preços e causem alta nos fretes. Dentre esses “drivers”, podemos destacar:

  • Combustíveis e derivados do petróleo.
  • Pneus e bandas de borracha.
  • Tarifas de pedágio e outros custos de circulação.
  • Dissídios e reajustes para caminhoneiros.
  • Reformas e recapeamento em rodovias.
  • Impostos e contribuições.

Cada um desses itens incide nos preços futuros dos fretes. Uma alta nos fretes, de qualquer modo, está geralmente associada a pelo menos um, senão todos os itens acima. Vamos entender o porquê disso.

Tempo de realização

É claro, as consequências de mudanças nos preços e custos decorrentes desses itens não necessariamente causam um impacto imediato nos preços dos fretes. Contudo, o prazo de realização desses custos varia e é preciso que você tenha uma ideia aproximada de quando os impactos de qualquer variação irão, de fato, refletir em uma alta nos fretes.

Tarifas de pedágio e aumentos nos preços dos combustíveis geralmente causam um impacto mais rápido. Esses reajustes estão ligados a despesas das transportadoras que são pagas à vista, e portanto modificam seus custos assim que sofrem qualquer reajuste ou baixa. Notícias sobre possíveis aumentos nos preços do diesel, óleo lubrificante, gasolina e também pedágios devem ser lidas com atenção – sempre há alguma influência nos fretes e, mesmo no caso de uma redução, acompanhar tais notícias é algo que lhe dá margem de barganha.

Por outro lado, dissídios e reajustes de categorias estão atrelados a convenções coletivas – isso leva tempo e tende a ocorrer em uma mesma época do ano. O impacto nos preços dos fretes não é imediato, mas pode ser previsto e negociado com base no tamanho do reajuste. O mesmo se dá com impostos e contribuições. Modificações tributárias são comunicadas com alguma antecedência e possuem um tempo de aplicação – além disso, impostos não são despesas de pagamento à vista.

Por fim, obras de recapeamento e manutenção de rodovias elevam, por conta do trânsito e paralisações, o número de horas pagas a caminhoneiros. A transportadora tende a repassar esse custo adicional, portanto esteja ciente das obras e interrupções em rodovias ao planejar sua carga.

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