Tacógrafo – um simples aparelho que leva a pesadas multas

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publicado: 14/05/2014
tacografo

Para que serve o tacógrafo?

O tacógrafo é um velho conhecido de caminhoneiros e transportadoras e, sob o ponto de vista tecnológico, um equipamento bastante rudimentar (ao menos aqueles amplamente utilizados no Brasil). O instrumento nada mais é do que uma espécie de “caixa-preta” para caminhões e carretas e, a exemplo do que ela faz com aviões, o tacógrafo retém dados importantes a respeito do percurso, velocidades médias e tempo de trajetos percorridos por motoristas e condutores.

Contudo, ainda que seu uso seja obrigatório por lei e a tecnologia nenhuma novidade, ainda é alto o número de irregularidades e adulterações existentes em tacógrafos – algumas fiscalizações, geralmente conduzidas pelo Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP) no estado, chegam a autuar mais de 20% dos caminhões verificados. Instaurados por lei desde 1997, os tacógrafos não exigem pesados investimentos e consistem em pouco mais do que pequenos discos com escalas que são “riscadas” à medida que os caminhões rodam. Na Europa o uso regulamentado de tacógrafos completamente digitais já foi tornado obrigatório, mas por aqui a coisa segue analógica.

Enquanto a frota não migra para os equipamentos digitais, as mais variadas adulterações, por parte de empresas e caminhoneiros, continuam a ocorrer. Veja a seguir alguns dos exemplos mais comuns de adulteração nos discos e caixas seladas de tacógrafos:

  • Causar danos nos ponteiros relativos à leitura de velocidade ou danificar de forma proposital os cabos que fazem essa leitura, de modo a evitar que restrições e limites de velocidade permitida sejam registrados;
  • Desligar ou desconectador o cabo de alimentação do equipamento, de modo a evitar que leituras sejam efetuadas durante algumas horas – seja por distâncias percorridas a mais ou a menos;
  • Troca dos pneus da tração para criar leituras diferenciadas no tacômetro;
  • Travamento do ponteiro de velocidade ou demais leitores na posição desejada;
  • Afrouxamento dos cabos de leitura, para posterior alegação de “defeitos” na hora de contestar relatórios;
  • Queimar ou fundir a lâmpada de aviso de limite de velocidade;
  • E claro, transitar sem discos ou com o tacógrafo aberto.

É claro que algumas versões mais modernas, que utilizam smart cards, resolvem a maioria desses problemas e “jeitinhos”, mas o fato é que o número de adulterações continua muito acima do desejado. É preciso conscientizar caminhoneiros e empresas a respeito da utilidade dos tacógrafos tanto como instrumento para cobrança de colaboradores e análise de desempenho, como argumento e prova em ações trabalhistas de abuso e jornadas excessivas. Afinal, os modelos digitais podem vir a qualquer momento, e tornam as atuais adulterações inúteis. Contudo, o brasileiro continua criativo na hora de dar um jeitinho e, a menos que consigamos demonstrar as vantagens do uso do aparelho por empregadores e condutores, em breve teremos novos ‘hackers’ de tacômetros digitais.

4 comentários

  1. Ed Trevisan

    01/12/2015 as 13:25

    Na Europa o tacógrafo digital é obrigado por lei desde 2006. O que se vê em alguns países, como Itália, França e Espanha, é o uso de um imã, como forma de burlar a lei.

    Porém os guardas rodoviários já estão cientes desta técnica e, se pegarem, a multa é pesada e pode até gerar prisão.

    Eu fiz um estudo detalhado sobre tacógrafos, tanto digitais quanto analógicos, que pode ajudar a explicar melhor àqueles que ainda não dominam o assunto.

    Vocês podem conferir aqui: http://fretecomlucro.com/tacografo

  2. Delio

    28/01/2016 as 12:55

    Trabalho com um 24-330 WV e volta e meia o disco fica todo preto na altura da velocidade, fica uma faixa como se uma criança estivesse pintando com lápis de cor, mas não fica nenhum ponto sem que a agulha não marcasse, o que pode ser?
    Obrigado pela atenção

    • Há kronnos tacógrafos

      17/03/2017 as 13:30

      Bom dia meu amigo Délio!

      É possível que o sensor de velocidade esteja danificado e causando a falta de comunicação entre caixa e tacógrafo ok?

  3. rogerio jose vargas

    28/01/2017 as 16:51

    A constituição diz; ninguem é obrigado a gerar prova contra si mesmo. Tacografo então é ilegal.
    As estradas e ruas são publicas e ninguem podera ser impedido de ir ou vir, em vários locais tem proibições para passar com caminhoes.
    Eita paisinho em que as leis são feitas para proteger alguns interesses, e de determinadas pessoas.

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