Safra de grãos enforca setor de logística

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publicado: 3/04/2014
safra

A safra recorde de grãos está causando problemas no setor de transportes

O aumento da safra de grãos, ainda que resulte em um grande benefício para as divisas do país e abastecimento de alimentos local, é sempre um problema quando o assunto é logística. Nos últimos dez anos, pelo menos, altas na produção de soja, milho e outras sementes e grãos tem gerado saltos na demanda por transporte rodoviário e ferroviário e, de certo modo, “enforcado” os recursos das empresas de logística, já demandados em situações normais de mercado.

No Centro-Oeste, onde a produção de grãos é enorme e as vias de escoamento não tão boas assim, a demanda na safra por caminhoneiros e condutores chegou a seu limite. Trabalhadores e empresas de outros segmentos vêm sendo contratados para atender à brutal demanda, mas ainda assim estima-se que apenas no Mato Grosso haja um déficit de cinco mil caminhoneiros. No Brasil inteiro, conforme estudos de sindicatos e associações do segmento, já se enfrenta uma escassez de condutores da ordem de 140 mil trabalhadores. O estado do Mato Grosso concentra cerca de um quarto da produção de grãos a ser escoada na atual safra, algo como 46 milhões de toneladas.

Salários altos, inclusive, parecem não atrair mais caminhoneiros na região – as estradas perigosas e a distância da família por grandes períodos faz com que muitos condutores rejeitem propostas muito acima da média de mercado para trabalhar durante a safra. Enquanto isso, algumas transportadoras da região se veem impossibilitadas de receber novos contratos, pois apesar de possuírem diversas carretas paradas em suas garagens, não encontram motoristas para atender a pedidos de clientes.

Frete e filas em alta durante a safra

Além da escassez de mão-de-obra, o escoamento de grãos no Mato Grosso causa mais dois problemas: o inflacionamento dos fretes não apenas no estado, mas em regiões do Mato Grosso do Sul e Goiás; e enormes filas nos acostamentos das estradas em terminais de transferência de modais, como o terminal ferroviário da ALL, em Rondonópolis, e alguns terminais de embarque fluvial no oeste do estado.

E para quem acha que os problemas estão concentrados no Centro-Oeste, muitas transportadoras de Minas Gerais, interior de São Paulo e outros estados vêm utilizando parte de seus recursos e frotas para atender à indústria de grãos, em busca dos maiores valores pagos pelos contratos. Como resultado, a expectativa é que fretes sejam inflacionados gradativamente também nas regiões circum-vizinhas e restante do país durante a safra.

Na outra ponta da cadeia, nos portos de Santos, Paranaguá e outros terminais de escoamento, também as filas de caminhões têm sido um problema, elevando prazos de entrega e transporte para praticamente todos os demais mercados usuários desses portos e aumentando os desperdícios de grãos nas longas esperas para embarque – uma vez que a carga é, sabidamente, perecível. Mesmo com o cadastramento online de veículos e cargas, o porto de Paranaguá sofre com as filas gigantescas de caminhões, que podem demorar até 8 horas para descarregar.

Um comentário

  1. Ana Bracarense

    18/01/2015 as 19:40

    Em dezembro de 2014 escrevi um artigo sobre: “desperdicios de graos nas rodovias”. E ele aborda exatamente sobre isso. Fiqyem a vontade em ler meu artigo ba minha página do LinkedIn ou me adicionar e me envuar seu email que lhe envio para leitura. Ficou interessante. Abs Ana

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