Pedágios – as rodovias mais caras de São Paulo

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publicado: 21/01/2014
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Não há dúvidas de que, especialmente no estado de São Paulo, a privatização de rodovias e trechos melhorou e muito as condições de conservação e tráfego nas estradas, mas isso tudo tem um preço nada módico. Reclamações à parte, a CargoBR resolveu realizar um pequeno estudo a respeito do real custo de circulação nas rodovias que possuem pedágios no estado – os resultados são surpreendentes. Embora isoladamente, a depender do trecho percorrido, o motorista não gaste fortunas (e olha que só consideramos as tarifas simples, para veículos de passeio), quando tornamos o roteiro mais extenso e com maior número de rodovias utilizadas, pequenas fortunas podem inviabilizar viagens e deixar caro um final de semana que era para ser barato.

Para efeitos e equalização, consideramos sempre o sentido mais caro de cada rodovia, levando em conta as estradas por sua nomenclatura (e não número). Além disso, desconsideramos pedágios de saídas e acessos.

A campeã

A rodovia mais cara do estado de São Paulo para motoristas é a boa e velha Anhanguera, em pouco mais de 400 quilômetros rumo à divisão com o Triângulo Mineiro. Viajar num único sentido da rodovia pode custar até R$ 61,80. As melhorias são relevantes desde a privatização, mas considerando todos os pedágios, chegar até Minas por esse caminho virou quase coisa de rico. Entre os vários pedágios, vale destacar a surpresa desagradável, quase no final do trecho paulista, em Ituverara – ali o motorista desembolsa no mínimo R$ 10,70.

Outra rodovia, essa não tão boa quanto a Anhanguera, por pouco não leva a taça – de uma ponta a outra, trafegar pela Marechal Rondon custa mais de R$ 60,00. É bem verdade que, com seus 558 quilômetros, a Rondon é consideravelmente mais longa que a Anhanguera. Contudo, com diversos trechos ainda não duplicados e bom tráfego de caminhões, talvez um custo tão alto não se justifique.

Outras três rodovias do estado atingem custos de viagem próximos de 50 reais cada. A Castello Branco, a Raposo Tavares e a Washington Luiz levam dos bolsos de seus usuários R$ 47,40, R$ 46,80 e R$ 44,80, respectivamente. Entre a Castello e a Raposo, rodovias praticamente paralelas enquanto próximas da capital, motoristas ainda perfazem complexos cálculos matemáticos sobre como “cortar” ou pegar atalhos nas cidades de interior para economizar alguns trocados.

Em relação ao custo por quilômetro, a descida para o litoral continua a ser o trecho mais caro do estado. Seja pela Anchieta ou pela Imigrantes, motorista desembolsam atualmente R$ 21,20 para ir passar o dia na praia, ainda que o pagamento ocorra apenas em um dos sentidos. De volta à Anhanguera, estrada em que todas as praças de pedágio realizam a cobrança nos dois sentidos, uma viagem de ida e volta de ponta a ponta custaria nada menos do que R$ 123,60 para um veículo de passeio – em determinados casos, mais caro do que uma passagem aérea para Ribeirão Preto.

Gastos longe da capital

Mas para quem acha que apenas o motorista que deixa a capital é que paga pequenas fortunas, algumas estradas com trechos apenas no interior também levam uma boa soma dos usuários. A rodovia Governador Adhemar de Barros, que liga a região de Campinas à divisa com Minas Gerais, possui ao todo três praças de pedágio, que cobram um total de R$ 19,40. O trecho é movimentado, mas passa longe da capital. Outros trechos interioranos caros incluem a Faria Lima, entre Araraquara e Minas, cujos pedágios somam R$ 19,10, a Dom Pedro I, entre Campinas e Jacareí, onde uma viagem em um único sentido custa R$ 18,80 e também a Antônio Romano Schincariol, que sai da Castello Branco e segue até Capão Bonito – nela, o motorista gasta mais de R$ 15,00 em um único sentido.

À medida em que avancem as concessões de novos trechos, as viagens no interior de São Paulo prometem ficar ainda mais caras. Para empresas de transportes, cujos caminhões chegam a pagar três ou quatro vezes o valor gasto por veículos de passeio, viagens de uma ponta a outra do estado podem custar mais de R$ 500,00, sem contar a viagem de volta. Pode ser que valha a pena – estradas mais conservadas geram menor custo com reparos, manutenção e mesmo combustível – mas a questão é até quando…

 

 

3 comentários

  1. Cleder Rosa

    23/01/2014 as 13:07

    Senhores,
    São inegáveis os benefícios, porém o preço é alto demais. Para mim, que viajo esporadicamente, dá para fazer um planejamento e manter equilíbrio financeiro durante o passeio. Mas eu entendo que deveria haver tarifas menores para os transportadores, pois no fim somos nós mesmos quem pagamos a conta. Posso sonhar? …quem dera o governo do estado baixar para 2% o IPVA?…já ajudaria um bocado.

    Abs.
    Cleder Rosa

  2. Tiago

    25/02/2014 as 01:47

    E a viagem de São José do Rio Preto para Ribeirão Preto?
    Em um trecho de Apenas 206Km são gastos R$36,50, lembrando que o cálculo federal é de R$ 7,00 para cada 100Km. É de cair…

  3. Millton Duarte Dias

    12/01/2015 as 21:55

    Na Alemanha não existem praças de pedágio e no entanto la estão as melhores estradas com conservação perfeita. O governo brasileiro deveria mandar pesquizar como o governo alemão procede para que as verbas necessárias para essa manutenção cheguem aos orgão responsáveis pela construção e conservação. Uma sugestão seria a cobrança de um imposto nos combustíveis que permitem veículos transitarem nas estradas e ruas. No final desta semana, eu,minha esposa, nosso filho e nossa nora, ficamos num fila durante duas horas, queimando cobustível até conseguirmos chegar ao pedágio, nós e milhares de outros carros. Governo inteligênte não permite tal sacrifício para seus cidadões. Que alguém leve para a frente essa idéia. Estou com 86 anos e não tenho mais tempo para entrar nessa briga.
    Osa

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