Pavimentação – o que há por baixo do asfalto esburacado

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publicado: 24/04/2014
pavimentacao

País possui apenas 19% de pavimentação em suas estradas

Nós brasileiros reclamamos, e com razão, sobre a qualidade da pavimentação em nossas estradas e rodovias. Para início de conversa, de quase 1,2 milhão de quilômetros de estradas, pouco mais de 220 mil quilômetros possuem pavimentação própria. Mas para nós, que trafegamos “por cima” da coisa toda, pode-se ter a impressão de que é algo simples. Contudo, uma boa pavimentação possui pelo menos cinco diferentes camadas de materiais por debaixo do asfalto que vemos todos os dias. A coisa toda começa em uma camada chamada “subleito”, que nada mais é do que o próprio terreno por sobre o qual a estrada será construída. Ainda assim, é necessário proceder um trabalho de terraplenagem e prensagem da pavimentação, além de uma minuciosa análise de solo – essa camada sustentará todas as demais e precisa ter firmeza suficiente para tanto. Logo acima dela, é constituída uma camada de transição entre o solo e o pavimento propriamente dito – o leito. Acima do leito, repousam as camadas complementares – geralmente a parte mais espessa do pavimento e praticamente o alicerce sobre o qual repousará a via de fato. Essas camadas complementares, na maioria das vezes, podem ser divididas em três partes distintas:

  • Regularização – é uma camada que, como o próprio nome sugere, tem como objetivo regularizar a superfície do pavimento. Por essa razão, possui uma espessura bastante variável ao longo do traçado construído e corrige falhas na etapa de terraplenagem ou irregularidades de pistas anteriores existentes no mesmo local;
  • Reforço do subleito – essa camada existe em algumas pistas e tem como objetivo compensar problemas ou fragilidades apontadas no próprio solo. É como em estradas construída sobre solos arenosos, por exemplo;
  • Sub-base – a camada aparece quando, por qualquer razão, não é recomendável a construção direta do pavimento por cima do leito obtido na terraplenagem.

A pista

Após todas essas camadas de base da pavimentação, chegamos de fato às duas camadas que representam a pista de tráfego propriamente dita. A primeira delas é a base. A camada asfáltica ou de concreto por sobre a qual passam os veículos precisa ter a pressão e tensões bem distribuídas para as camadas inferiores, de modo a garantir maior durabilidade da pista. Finalmente, chega-se à fase de revestimento da pavimentação – de asfalto ou concreto – é nela que circularão os veículos. Grande parte dos problemas de má durabilidade e excesso de rachaduras e buracos nas pistas brasileiras está concentrada nessas duas camadas mais superficiais. Muitas obras de recapeamento apenas ajustam a camada asfáltica ou mesmo deitam uma segunda “demão” do material sobre a pista já existente, sem corrigir os problemas da base que levaram à formação de irregularidades na pista. Quando o concreto é utilizado, naturalmente mais resistente, chega-se a diminuir tais problemas, mas ainda assim sem ajustes na base, falhas criadas na pista podem voltar a ocorrer no médio prazo.

3 comentários

  1. Arthur sousa

    27/04/2014 as 14:48

    Acredito que os profissionais dessa área, unidos com outras área, poderiam buscar soluções que não fosse somente a aplicação de asfalto.
    Nossas cidades estão ficando cada vez mais impermeáveis, onde as águas das chuvas não tem outra alternativa de saídas, e com nossa rede de esgoto em péssimos estados não estão dando suporte e compromete a base criada para dar sustentação ao asfalto.
    É preciso se pensar, de forma sustentável, e buscar alternativas mesclando o uso de materiais resistentes e permeáveis, como está se discutindo no site “http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/cidades-para-pessoas/2012/11/21/asfalto-um-material-brilhante-mas-uma-solucao-estupida/”

  2. FABIANA

    04/08/2015 as 18:05

    GOSTEI MAS TEM QUE SER UM POUCOMAS CLARO QUE TEM PREGUISAR DE LER COMO U NUMCA VAI LER EU SO LI PORQUER N TINHA OPISSAP

  3. edimar francico de sousa

    12/02/2017 as 00:30

    Foi muito importante pra mim essa matéria, obrigada

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