Multimodal e intermodal – tudo igual, mas completamente diferente…

|
publicado: 23/01/2014
Crédito: Astrid Groeneveld / Wikicommons

Operações de longa distância e a logística corporativa popularizaram dois termos, que embora sejam utilizados com frequência um pelo outro, possuem diferenças fundamentais em seu modo de operação. Os termos multimodal e intermodal estão ligados entre si por implicarem no uso de diferentes modais de transporte, mesclando meios terrestres, aquáticos e aéreos ao longo de seu processo, mas ainda assim, algumas diferenças precisam ser postas no quadro negro nesse caso.

Mas afinal, se em ambos os casos estamos falando do uso de diferentes modalidades de transporte, qual seria a diferença?

A grande diferença está nos contratos firmados. Enquanto que nas operações multimodais um único contrato celebrado com um operador é vigente durante todo o transporte da mercadoria, não importando qual seja o modal utilizado, na operação intermodal, a cada nova mudança de meio ou modal de transporte, um contrato diferente entra em vigor. Pode parecer confuso, mas grosso modo, nas operações multimodais o número ou caráter dos meios de transporte utilizados não variam muito, porém existe a pessoa do operador logístico, que geralmente organiza o trânsito das mercadorias e as mudanças de modal em nome de um cliente com o qual firma contrato.

Sob esse ponto de vista, podemos dizer também que a diferença entre essas operações, aos olhos de quem as contrata, é a redução da “dor-de-cabeça” no caso do transporte multimodal. Ainda no caso do transporte intermodal, também geralmente se usa o termo para definir operações que utilizem mais de um tipo de meio de transporte para chegar a seu destino, porém sem “quebra” da carga, ou seja, a acomodação e o modo de tração da carga permanecem, mesmo quando o modal é substituído.

Nas operações multimodais surge a figura do OTM – Operadores de Transporte Multimodais – que são empresas ou operadoras que assumem toda a responsabilidade perante o proprietário da carga, realizando a entrega e lidando diretamente com as várias transportadoras envolvidas no processo. Esses OTM devem possuir habilitação e registro prévios na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Esse tipo de operação também demanda o Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas (CTMC), documento válido não apenas como contrato, mas como documento fiscal de transporte. Mesmo que o OTM possa não realizar diretamente nenhuma etapa do transporte, se responsabiliza totalmente pela carga em si.

Qual sua utilidade?

Ambas as modalidades de contrato logístico passaram a existir com a necessidade de operações de transporte mais complexas, cobrindo maiores distâncias e atingindo regiões que não necessariamente dispunham de todo o tipo de meios de transporte. Especialmente no Brasil, um país de vasto litoral e bacia hidrográfica, porém portos lotados e limitação no uso de corredores fluviais, a grande maioria do transporte aquaviário só vai até determinados pontos do mapa. A partir deles, é necessária a moção da mercadoria para vagões ferroviários (cuja malha de linhas também é escassa) e principalmente carretas e caminhões.

Muitas grandes empresas organizam sozinhas esse “leva-e-traz”, seja por intermédio de seus departamentos de logística ou supply chain ou mesmo por meio de subsidiárias especializadas no transporte de cargas. Outras empresas, contudo, precisam delegar a tarefa a operadores logísticos que cuidem do manuseio dessa carga até seu destino, não importando quais os modais que serão utilizados nessas operações.

6 comentários

  1. Cleder Rosa

    25/01/2014 as 21:13

    Caros,
    Gostei da explicação; bastante didática.

    Abs.
    Cleder

  2. Euripedes Fonseca

    09/02/2014 as 14:31

    Fantástico!
    Excelente material, muito explicativo!

    Att,

    Euripedes Fonseca

  3. Joaquim Leão

    26/08/2015 as 19:45

    Boa tarde!

    Gostei do artigo! Didático e sucinto ao mesmo tempo!

    Parabéns!

    At.te,

    Joaquim Leão.

  4. EDVALDO REIS BOTELHO

    23/04/2016 as 01:25

    gostei.

  5. lailson francisco da silva

    21/08/2016 as 08:10

    Bom dia, trabalho numa empresa de transporte de carga aérea e rodoviário, antes agente emitia o cte normal, hoje emitimos o cte multimodal, gostaria de saber se alguém poderia mim informar para que serve o cte multimodal?

    Alem de emitimos os cte multimodal, para cada cte multimodal que emitimos, teremos que emitir 02 cte para vincular no cte multimodal, por exemplo o cte multimodal nº 236451 esse segue do aeroporto de GRU X REC E e emitimos mas 02 ctes para fazer o o itinerário, cliente remetente da carga a te o aeroporto de guarulhos e segundo cte do aeroporto de recife a te o destinatário da carga final.

    Alguém poderia mim da uma informação se a necessidade de emissão de 03 ctes para apenas uma entrega, e obrigatório se o correto.

  6. Hugo Rafael

    04/11/2016 as 12:06

    Muito útil.

    Grato.

    Hugo Rafael Cruz
    PORTUS SOLUÇÕES LOGÍSTICAS
    +55(48)34116255

Comentar

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>