Logística reversa – mais do que uma mera tendência

O termo “logística reversa” entrou na moda ultimamente com a consolidação dos valores de sustentabilidade entre o meio empresarial e também em políticas públicas. Contudo, mais do que uma simples moda passageira, a logística reversa implica em grandes responsabilidades para segmentos inteiros da economia e, para o pessoal de logística, transportadoras e empresas de frete, uma oportunidade de novos ou maiores contratos de prestação de serviços.

Primeiramente, cabe esclarecer de modo simples do que se trata a tal logística reversa – é o caminho de sobras, embalagens, invólucros ou mesmo do produto (após seu uso) de seu ponto de consumo até o local de origem ou produção. Um exemplo já em vigor e cada vez mais comum e habitual é o caso das pilhas e baterias. Para facilitar a coleta – geralmente a primeira etapa da logística reversa – empresas fabricantes estão expandindo a cultura junto a condomínios, shoppings, lojas e mesmo consumidores finais, com pequenas latas ou caixas nas quais o consumidor pode depositar suas pilhas usadas, que posteriormente serão remetidas a seu ponto de origem.

Onde entram as transportadoras?

O processo de logística reversa nem sempre é simples – conforme a lei e segundo a teoria, ele envolve desde a coleta do material usado ou de suas sobras junto ao consumidor final até a etapa na qual a fabricante dá novo destino ao material: ele pode ser reciclado, recondicionado, reutilizado ou simplesmente revendido a terceiros que possam dele fazer algum uso. Entretanto, até que tais produtos e materiais cheguem de volta a suas empresas de origem para processamento, existe muitas vezes um longo caminho a seguir.

As oportunidades que aparecem para transportadoras e empresas de logística começam nos pontos de coleta – alguém tem de retirar os produtos que neles se acumulam. Com a entrada da logística reversa como obrigatória em segmentos como o de pilhas, o de lâmpadas e outros, empresas de transporte capazes de manusear esses produtos ou resíduos saem na frente das demais. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, entre os sistemas já implantados estão os óleos lubrificantes e seus resíduos contaminados, embalagens de agrotóxicos, pneus e pilhas, mas alguns outros produtos e setores já estão com suas cadeias de reversão em fase de implantação e avançam rapidamente, como qualquer um pode acompanhar no dia a dia:

  • Medicamentos – muitas redes farmacêuticas já possuem algum sistema para coleta de medicamentos vencidos, por exemplo, mas o volume certamente aumentará nos próximos anos, com a expansão geográfica do sistema;
  • Lâmpadas – peças  produzidas com vapor de mercúrio podem gerar resíduos altamente tóxicos e certamente estarão entre as prioridades nos próximos anos. O sistema envolverá o segmento de iluminação pública e, levando em conta que muitas dessas lâmpadas são enormes, seu transporte exige pessoal, equipamento e processos especializados;
  • Embalagens em geral – muitas das embalagens já são coletadas em programas de reciclagem e coleta seletiva, no entanto sua destinação, em muitos dos casos, está longe de ser a mais adequada;
  • Eletrônicos – a sucata de eletrônicos é muito valorizada em outros países, assim como existe todo um mercado para a revenda de peças e equipamentos usados. No caso desses últimos, transporte irregular ou sem cuidado pode acarretar em prejuízos na revenda de lotes inteiros, por isso a especialização também será um tema importante no transporte desses materiais por empresas de frete e logísticas.

 

 

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