Logística agrícola – gigantes ainda em xeque

A logística agrícola apresenta muitos desafios a serem superados

De todas as indústrias e setores econômicos que demandam intensivamente alternativas de transporte e logística, o segmento da agroindústria é, talvez, o mais importante – e muitas vezes o mais imprevisível. Com a infraestrutura da logística agrícola constantemente em apuros, produtores de grãos, cana e outros produtos agrícolas de larga escala, além de carnes e derivados animais, sempre passam por dificuldades – às vezes em períodos nos quais, teoricamente, deveriam faturar mais.

Em qualquer país do mundo, um aumento significativo na produção agrícola – conhecido como “supersafra” – é comemorado. Por aqui, ele não apenas gera problemas, mas é muitas vezes temido por produtores de menor porte. Com a safra em alta, a demanda por caminhões, vagões e navios aumenta vertiginosamente – quem perde é o pequeno e médio produtor, que tem de bancar fortunas para escoar sua produção, e também o exportador, que é obrigado e colocar seu produto em navios já com alguma desvantagem na logística agrícola sobre concorrentes estrangeiros.

Os volumes tendem a ser imensos, mesmo quando não transportados a granel – sacas de 50 kg e 100 kg enches caminhões vagões e tem de ser rapidamente despachadas, uma vez que são perecíveis. Além da questão do escoamento da produção, a agroindústria enfrenta uma premência de tempo em sua carga.

Altos custos

A logística é um dos fatores que gera maior custo para a agricultura e pecuária. Na indústria canavieira, por exemplo, estima-se que o corte, embarque e transporte do produto responda por cerca de 30% dos custos totais de produção. Usam-se vários tipos de caminhões e carretas no segmento – desde os caminhões “romeu e julieta”, com peso bruto total de 25 toneladas, até gigantescos rodotrens, com PBT acima de 65 toneladas. Mas assim mesmo, o setor ainda enfrenta problemas com a escassez de caminhões e motoristas e deve parte de suas perdas na produção à precária oferta de fretes no país.

Além da questão da escassez de fretes, a maioria dos setores agrícolas não pode, simplesmente, “adiantar” embarques – sob risco de ampliar os desperdícios em pátios de espera e armazenamento para o embarque.

Tecnologia embarcada

Sem caminhões suficientes, a saída tem sido ampliar o uso de tecnologia embarcada na frota existente. Por meio de dispositivos de rastreamento, carretas são acompanhadas do embarque até sua chegada aos portos e terminais ferroviários. Havendo a liberação de um veículo, este é imediatamente colocado de volta no “pool”, para atender a novas demandas. É claro que essa metodologia oferece uma limitação, ainda que venha para bem. O aumento da frota e melhoria das estradas, além da ampliação da oferta de mão-de-obra no setor (estima-se em 100 mil o déficit de caminhoneiros hoje no país), são as únicas maneiras de conseguir uma elevação de oferta sustentável.

Entretanto, no que depender das vendas de caminhões, parece que o equilíbrio no segmento de cargas agrícolas ainda está longe de ocorrer. A indústria automotiva vem registrando uma queda de quase 20% no volume de licenciamentos de caminhões este ano e, embora o governo federal e alguns estaduais tenha ampliado os pacotes de financiamento e renovação da frota, as vendas de caminhões e carretas parecem não deslanchar.

admin
thiago.paim@cargobr.com
1Comentário
  • Cleder Rosa
    Posted at 12:06h, 25 julho Responder

    Excelente matéria. Super atualizada. Sou professor de logística na ETEC e com certeza vou repassar aos meus queridos alunos.

    Obrigado.
    Cleder Rosa

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