“Gringos” no volante – solução para a falta de condutores?

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publicado: 13/03/2014
motorista

A realidade de quase pleno emprego do mercado brasileiro, especialmente em funções que exigem nível médio, é uma boa notícia em linhas gerais, mas intensifica certos desafios para alguns setores da economia – um deles a logística, especialmente no segmento rodoviário. Segundo diversos cálculos de sindicatos, de transportadores ou motoristas, e também de órgãos oficiais, o déficit de profissionais para conduzir veículos de carga no Brasil chega a cerca de 100 mil caminhoneiros, ou praticamente 5% do número total de veículos operando.

Para reduzir esse déficit, algumas empresas e entidades estão aventando a possibilidade de “importar” motoristas. De fato, em alguns casos, isso já vem ocorrendo. A agência CNT apurou junto ao Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar) que alguns recrutamentos têm sido conduzidos no exterior. A entidade trouxe para o Paraná dez condutores colombianos, que já estão trabalhando no mercado brasileiro. O órgão pretende integrar pelo menos mais 50 condutores da Colômbia nos próximos três meses e, caso a experiência dê resultados, mais motoristas podem ser trazidos para o Brasil.

A própria rotina desses profissionais e o fato de trabalharem, em geral, distantes de casa em rotas longínquas beneficia o trânsito de profissionais – a Colômbia é um exemplo, mas novos caminhoneiros poderiam ser trazidos de outros países da América Latina, principalmente da região do Mercosul. O Setcepar estima que apenas no Paraná o déficit de caminhoneiros chegue a 5 mil profissionais.

Mais caminhoneiros

A exemplo do que ocorreu com os médicos recentemente, em algum momento órgãos do governo, como o Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) podem assumir a frente e regulamentar a vinda de novos condutores para o Brasil. Algum ajuste em termos de licenças e permissões para conduzir carretas e cursos de reciclagem desses profissionais serão necessários, mas provavelmente o trâmite seria bem menos rigoroso do que no caso dos médicos, que precisam comprovar formação específica e uma série de especializações, além de realizar a equivalência de diplomas e licenças.

A barreira do idioma também é pequena – em sua maioria, motoristas precisam de noções básicas de leitura para compreender a sinalização e podem atuar junto a transportadoras com intérpretes para colher dados básicos de entregas e ordens de serviço, o que em geral não seria problema para empresas de logística de médio ou grande porte.

Corporativismo

Há, entretanto, um risco na vinda desses profissionais para o Brasil. Novamente tomando os médicos como exemplo, associações, sindicatos e grupos representativos da categoria de condutores poderiam questionar ou levantar barreiras para a chegadas desses novos motoristas. Uma vez que o mercado segue demandado e praticamente todo e qualquer caminhoneiro brasileiro hoje encontra trabalho com facilidade, o risco é baixo, mas ainda assim existe.

4 comentários

  1. Antonio Jamesson Costa Nascimento

    15/03/2014 as 01:13

    A este respeito, não tenho dúvida que não se pode chorar sobre “o leite derramado” ou cair no lugar comum de repetir a ladainha de falta de Planejamento Estratégico do Governo Federal, particularmente no Setor Logística e Transportes. Não é de um dia para o outro que se constata uma demanda reprimida tão alta de motoristas profissionais. O sistema Governo/segmento empresarial/Sindicatos/Associações, etc. “passou batido” no boom em apreço. Apesar disto, sou dos que entendo que a maior prioridade não “importar motoristas gringos ou de outras nacionalidades”. No correr desse novo filão (mais médicos, mais motoristas, etc) NOSSA GRANDE PRIORIDADE DEVERIA SER A DE IMPORTAR POLÍTICOS SÉRIOS, VOLTADOS PARA O BEM DO BRASIL (O QUE EVIDENTE É IMPOSSÍVEL, JÁ QUE OS PRÓPRIOS BRASILEIROS PARECE NÃO QUEREREM ISTO). Temos um Plano Nacional de Logística e Transportes que, se não atende às necessidades do Brasil, deve ser refeito por ‘PROFISSIONAIS DE PLANEJAMENTO IMPORTADOS????). É óbvio afirmar que , se o Plano não comporto, prevê e dá diretrizes para a formação qualitativa e quantitativa de Recursos Humanos, PECA NA ESSÊNCIA!Não basta o Plano Nacional ser bom! Precisa proatividade e “desemperramento governamental” para acontecer efetivamente e na rapidez que a Nação precisa. Temos um magnífico e gigante “Sistema S”. Temos material humano: Uma população jovem, na faixa que os economistas chamam de PEA, para os quais falta uma Política Nacional séria, racional e efetiva. Que não seja para outra necessidade, seria para SALVAR ESTA JUVENTUDE DAS GARRAS NEFASTAS DO ÓCIO, TRÁFICO, BANDIDAGEM E OUTRAS “COISITAS”. Antigamente, antes que “bons brasileiros”(RsRsRs)resolvessem jogar as Forças Armadas nas barras da “justiça do trabalho”, elas formavam profissionais de diversas áreas técnicas, inclusive MOTORISTAS (com competência, responsabilidade, disciplina, etc). Hoje, se as autoridades e seus entornos burrocratas e tecnocratas conseguirem PASSAR POR CIMA DE SUAS ARROGÂNCIAS, talvez fosse possível criar um MUTIRÃO PARA FORMAÇÃO MACIÇA (NÃO MASSIFICADA) DE MOTORISTAS (SISTEMA S – FORÇAS ARMADAS – SINDICATOS, ETC. A Pátria amada Brasil agradeceria o fato de ESTAR SENDO DADA UMA PROFISSÃO BÁSICA, IMPORTANTE E FUNDAMENTAL A UM CONTINGENTE DE JOVENS QUE TERIAM A OPORTUNIDADE DE CONTRIBUIR PARA O FUTURO DO BRASIL, AO MESMO TEMPO EM QUE TERIAM UMA CHANCE POSSÍVEL E CONCRETA DE UMA VIDA DIGNA E HONRADA JUNTO À SOCIEDADE, À FAMÍLIA E À PÁTRIA AGRADECIDA. Ah! Ia esquecendo: Quanto tempo leva para a formação de um Motorista? Quanto tempo levaria para cuidar de todos os aspectos legais necessários à importação dos motoristas SEM REPETIR O NEFASTO E VERGONHOSO PROGRAMA MAIS MÉDICOS?
    Finalmente esclareço que, embora pareça polêmico, quero apenas enfatizar que precisamos ABRIR OS OLHOS, SEGURAR AS RÉDEAS DE NOSSA NAÇÃO E CONSTRUIR UM BRASIL PARA OS BRASILEIROS. Temos matéria prima, nossa gente é maravilhosa e somos admirados no mundo todo pela “Criatividade brasileira” que, muitas vezes, lamentavelmente, se confundo com o abjeto “jeitinho brasileiro”.Respeitosamente.

  2. nesesito saber si puedo acer el curzo de camionero para trabajar. Se manejar camiones viejos mercedes 11.14 aca en argentina yo vivo en provincia de corrientes argentina en la ciudad de mercedes. muchas gracias por leer este e-mail. de un argentino que tiene el sueño de ser camionero y aca en argentina tube muchas trabas.

    • nelson magnoni

      10/06/2014 as 17:49

      No Brasil esta com um deficit de 100.000 mil caminhoneiros, ha vagas para todos tipo de equipamentos, por exemplo: 6 eixos, 7 eixos e 9 eixos, com referencia o idioma espanhol, não ha problema. É mais complexa as legislações.

  3. Fabio Aparecido de Moraes

    23/02/2015 as 12:27

    Bom seria que também, dessem chance para os novatos brasileiros que querem entra neste mercado, estou desempregado há seis meses fiz alguns cursos de qualificação profissional, inclusive, habilitação categoria “E” mas, tudo o que ouço é falta de experiência, mas se não querem treinar a mão de obra que existe aqui, então vão ter que trazer de fora mesmo!!!!!!!

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