Frota e estradas – um crescimento desigual

Frota e estradas – um crescimento desigual

Todos nós já nos demos conta, em algum momento dos últimos 20 anos, de que a frota de veículos, não apenas nas capitais, mas no país em geral, cresce muito mais rapidamente do que o número de vias e estradas nas quais podemos circular. Não apenas das estradas e rodovias, mas também nas cidades. Isso não é uma impressão e, no longo prazo, somente aponta para uma situação ainda mais calamitosa na logística rodoviária brasileira. Melhorou a qualidade das principais estradas e vias brasileiras, principalmente com a expansão da rede em concessão – nos próximos anos, a malha nas mãos de concessionárias deve crescer ainda mais, o que é uma boa notícia para todos.

Ainda assim, colhidos os últimos 10 anos, nossa frota de veículos cresceu praticamente dez vezes mais do que a quilometragem da malha rodoviária federal pavimentada. De 2004 a 2014, passamos de 57,9 mil quilômetros de estradas federais pavimentadas para apenas 65,9 mil quilômetros, uma alta de 13,8%. No mesmo período, nossa frota de veículos mais do que dobrou. De menos de 38 milhões de automóveis, caminhões e ônibus em 2004, passamos a mais de 84 milhões de veículos este ano. A alta, de 122%, explica em grande parte o colapso de rodovias e portos, especialmente se considerarmos que a alta na frota de veículos comerciais e de carga chegou até mesmo a superar o crescimento em veículos de passeio em algumas situações.

Como lidar com as estradas

Cada vez mais empresas de carga e mesmo você, cliente do setor logístico, terão de encontrar maneiras de contornar a falta de estradas, rodovias e mesmo vias urbanas para circulação. Algumas alternativas se apresentam, algumas delas com um custo teoricamente superior ao tradicional, mas quando colocamos no papel em conjunto com a situação de superlotação das vias de tráfego, elas podem se tornar bastante vantajosas no médio prazo.

  • Mais pontos de distribuição. Como varejista, empresa de e-commerce ou mesmo estabelecimento que realiza vendas e entregas de produtos diversos, o melhor é que você possua “pontos de partida” mais próximos de seus clientes. Novos armazéns, espaço alocado em centros de distribuição e depósitos de transportadoras e até mesmo entregas feitas a partir do próprio fabricante. O ideal é que, no longo prazo, você seja capaz e efetuar o dobro de entregas, porém percorrendo metade da distância total. Bons operadores logísticos podem sem qualquer dúvida, auxiliá-lo a configurar novos desenhos para a entrega de suas mercadorias.
  • Horários alternativos. É mais caro circular produtos em horários fora do padrão? Principalmente sob o ponto de vista trabalhista, isso é verdade. Entretanto, se levarmos em conta o tempo em trânsito e velocidade da entrega, na verdade esse custo extra é facilmente superado pelas vantagens econômicas de reduzir tempos de entrega e circulação de mercadorias. É claro que é preciso calcular, caso a caso, as vantagens e desvantagens de se trafegar fora de horário, mas é para isso que serve seu parceiro logístico, correto?
  • Veículos mais modernos. Já que não evolui a malha rodoviária, que evolua então a qualidade dos veículos que nela trafegam. Caminhões com melhor desempenho, mais capacidade de carga, consumo otimizado e mais conforto para motoristas devem substituir os dinossauros com décadas de uso nas transportadoras e, se for o caso, também em sua frota própria. O investimento inicial pode ser pesado, mas pequenos ganhos em termos de desempenho farão, cada vez mais, uma enorme diferença nas entregas e remessas.

 

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