Estoques – entendendo a matriz de custos

Muito se fala em aumento ou redução nos custos de estocagem e armazenagem, mas às vezes essa variável não se coloca de modo muito claro. O fato é que armazenar mercadorias e bens envolve uma série de despesas que, muitas vezes, não são contabilizadas e consideradas por empresas em geral, e podem levar a tenebrosos prejuízos com os quais sócios e proprietários sequer contavam num primeiro momento. Manter produtos parados, além de todos esses custos, envolve um grande risco em algumas situações e ter consciência de tudo isso pode ampliar seus lucros e reduzir as chances de danos para seu negócio.

Logo de cara, podemos distinguir dois tipos de custo decorrentes da existência ou não de estoques: o primeiro é seu próprio custo de manutenção e o segundo, mais ligado ao “custo de oportunidade” sob os olhos da economia, seria o custo da falta de estoques.

Manutenção cara

O custo de manutenção de estoques é algo caro e, no caso de muitos setores econômicos, cada vez menos desejável. Rotinas logísticas de entrega just-in-time e processos integrados que amarram a produção de bens à venda e escoamento dos mesmos visam, cada dia mais, reduzir a necessidade de estoques e inventários físicos. Mercadoria parada, na maioria dos casos, é também dinheiro parado. Os custos de manutenção de estoques podem ser, grosso modo, categorizados em quatro diferentes classes:

  • Custo de espaço – desde simples contratos de aluguel de armazéns e galpões até cobranças por metro quadrado ocupado, no caso de contratos de terceirização, muitas vezes esses custos também são atrelados aos períodos de tempo a serem utilizados;
  • Custo de capital – refere-se ao capital diretamente investido no estoque e também do custo de oportunidade de não tê-lo investido em outra aplicação qualquer. Em indústrias que trabalham com insumos cotados em bolsa ou internacionalmente, esse investimento pode atingir grandes montantes, em operações de proteção contra oscilações de preço conhecidas vulgarmente como operações de ‘hedge’;
  • Custo de serviço – enquadram diversas taxas cobradas por serviços de gestão das mais variadas naturezas, além de impostos decorrentes da armazenagem e uso do espaço e também seguros da carga ali mantida;
  • Custo de risco – manter estoques pode causar enormes prejuízos. Primeiro, no caso de mercadorias perecíveis, a manutenção de altos estoques pode gerar excesso de produtos para posterior distribuição, gerando sobre-ofertas e fazendo com que esses itens estraguem ou sejam desperdiçados antes de repassados ao cliente. Riscos ainda afligem aqueles que mantêm produtos de rápida evolução, como celulares – o lançamento de novos modelos podem reduzir o valor de revenda ou mesmo tornar completamente obsoletos produtos estocados em excesso.

Problemas na venda

Também se associa a estoques o custo da falta de produtos. Ainda que isso possa soar estranho, manter produtos insuficientes em estoque gera não apenas o custo decorrente da perda de vendas, mas também custos excedentes decorrentes de pedidos fechados que não podem ser atendidos, por indisponibilidade de produtos. Para atender pedidos já efetuados em atraso, além do desgaste das relações com o cliente, empresas recorrem a serviços extras de entrega e gerenciamento cujos custos não eram inicialmente previstos.

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