Desvendando os navios de carga – parte 1

Conheça mais sobre navios graneleiros

Em geral, navios não estão no raio de preocupações cotidianas da maioria das empresas, clientes ou prestadores de serviços logísticos. Entretanto, o grosso do comércio mundial passa por esses gigantes diariamente, desde matérias-primas das mais básicas, como petróleo, grãos e minérios, até produtos de consumo, como alimentos industrializados, eletrônicos e medicamentos. Na logística marítima, quanto maior melhor – imensos navios trafegam com frequência cada vez maior entre continentes e a tendência é que, por questões de custos e competitividade, se tornem cada vez maiores e mais gigantescos.

Aqui na CargoBR vamos falar um pouco mais sobre os navios cargueiros e de transporte de produtos das mais variadas naturezas. Por uma questão de extensão e variedade, dividimos esse post em duas partes, para facilitar a leitura e cobrir com mais exatidão e dedicação as principais categorias de navios comerciais.

Graneleiros

Até em razão da carga que costumam levar, esses navios são popularmente tidos como de transporte exclusivo de grãos. Um erro comum, já que o “graneleiro” vem de “granel”, sólido no caso, e não de grãos apenas. A Vale utiliza-se desses navios com frequência no transporte de minérios para a Europa, Estados Unidos e China, em cargas que podem compreender o minério-de-ferro, a bauxita, o carvão e outros minerais. Mas claro que também temos a vasta utilização desses navios – em geral de um porte um pouco menor – para o transporte de grãos, como soja, sorgo, milho e outros.

A classificação dos navios graneleiros se dá por seu porte e em geral seus nomes estão associados a percursos marítimos e canais específicos, numa menção ao maior tamanho que pode trafegar nessas regiões. Há claro, alguns subtipos designados exclusivamente para um tipo de carga, mas em relação a seus tamanhos, os graneleiros são divididos em três categorias principais:

  • Handysize – são os menores graneleiros, com capacidades de armazenamento entre 15 mil e 60 mil toneladas (medidas em DWT, “dead-weight tonnes”). Ao contrário de outras categorias, sua denominação não aponta para rotas específicas, mas os Handysize se subdividem em mais três categorias, conforme seu porte: Handy (porte de 15 mil a 40 mil toneladas), Handymax (entre 40 mil e 50 mil toneladas) e Supramax (entre 50 mil e 60 mil toneladas). O padrão é o mais comum entre os navios graneleiros e estima-se que hoje operem mundialmente mais de 2 mil desses navios, movimentando anualmente um volume de cargas próximo de 50 milhões de toneladas;
  • Panamax – essa categoria compreendia geralmente navios com capacidade de carga entre 60 mil e 80 mil toneladas, numa referência ao porte máximo a trafegar pelo Canal do Panamá. Com as obras de expansão do canal, no entanto, surgiram navios de maior porte ainda dentro dessa categoria, batizados de New Panamax. Esses navios, mais modernos, possuem uma capacidade de carga que pode chegar a 120 mil toneladas. Esses cargueiros já possuem tamanhos mais monumentais, não sendo comportados por qualquer terminal portuário, com comprimentos que podem chegar a 300 metros ou até 366 metros no caso dos New Panamax;
  • Capesize – compreende navios grandes demais para trafegar em canais como Panamá e Suez, com navios que tipicamente possuem capacidades por volta de 150 mil ou 175 mil toneladas, mas que podem até mesmo ultrapassar as 200 mil toneladas, no caso de navios das classes VLOC e VLBC, geralmente usados no transporte de minério-de-ferro e carvão.

Com o volume de minérios cada vez maior em trânsito no comércio internacional e a expansão de terminais portuários, especialmente na China, para atracamento de navios de maior porte, as embarcações Capesize se tornam cada vez mais comuns, especialmente para rotas que envolvem asiáticos.

Ainda nas denominações relativas a canais e rotas, temos também nomenclaturas como Aframax e Suezmax, e outras mais exóticas, como Seawaymax e Malaccamax, mas esses navios compreendem mais “tankers”, ou navios para graneis líquidos, os quais veremos na continuação deste post.

admin
thiago.paim@cargobr.com
2 Comentários
  • Rafael
    Posted at 00:30h, 21 março Responder

    olá boa noite quanto tempo leva um naviocom carga de soja de Paranaguá até a china , quanto tempo leva para abastecer o navio de soja e qual o valor do frete do navio ,

  • Lírio Schaeffer
    Posted at 09:03h, 08 setembro Responder

    É correto o cálculo de que quando importamos um iPhone ($US 2.000,00) precisamos vender um navio de 60 ton de minério ? Nesse caso considerei 30 us$ o custo da tonelada de minério.

Postar Comentário