Desafios da logística urbana

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publicado: 20/12/2013
Um dos triciclos de entregas urbanas usado pela TNT.

Falamos, grosso modo, a respeito de mudanças na metodologia e nos processos de logística urbana, bem como da influência do comércio online nesse segmento. Contudo, sob o ponto de vista de quem realmente opera esse setor, o que as mudanças dos próximos anos nas metrópoles e áreas de grande concentração urbana irão ocorrer? Tendências como o uso de veículos menores e menos poluentes nas cidades, na verdade, tratam-se de exigências legais para o trânsito nesses locais, mais do que tendências que podem ou não ser definidas por empresas de carga e transportadores.

As tendências globais no transporte urbano vão um pouco além disso e exigirão, nos próximos anos, mudanças estruturais fortíssimas nas empresas de frete e entregas urbanas.

De volta às cidades

Gigantes da indústria de varejo e comércio online e offline, como Amazon.com e Walmart, cada vez mais oferecem a seus clientes entregas mais rápidas e pontuais. Isso implica em volumes menores entregues com frequência cada vez maior. Talvez uma das única maneiras de reduzir o número de viagens que passaria a ser necessário nessa nova realidade seja uma “volta às cidades”, por parte de operadores. Hoje, empresas de logística atuam, em sua maioria, com centros de distribuição de maior tamanho situados em zonas periféricas, próximas das cidades, porém geralmente fora do entorno de seus rodoaneis.

Com a entrada de modalidades de entrega que exigem que produtos cheguem aos clientes em questão de poucas horas, mais o tráfego cada vez mais caótico e limitado em termos de porte dos veículos, horários e dias da semana em grandes cidades, a instalação de áreas menores para recebimento provisório ou temporário de mercadorias parece uma solução óbvia. Áreas menores de estocagem e distribuição, já dentro das cidades e separadas por bairro poderiam receber volumes mais frequentes, mantendo algum estoque para entrega rápida. Também se tornam cada vez mais comuns locais de coleta de mercadorias – “Drop off points” – onde tanto clientes quanto pequenas soluções de entrega, como motoqueiros ou comerciais leves podem se encarregar de entregas em um raio de distância pequeno.

Grandes empresas de courier e entregas, como TNT, DHL e Fedex, já se utilizam de veículos para logística urbana que atendem às necessidades de porte (pequeno), facilitam o deslocamento em áreas congestionadas e possuem apelo ecológico: o que envolve bicicletas e triciclos dos mais variados tipos, como mostra a foto.

Cliente como parte do processo

Soluções internacionais colocam cada vez mais o cliente como parte do processo logístico, não apenas para enxugar custos e reduzir viagens, mas também para proporcionar possibilidades de coleta rápida do produto para consumidores. No exterior, diversas empresas já demonstraram o sucesso de iniciativas como os “locker boxes” – pontos nos quais o cliente dispõe de uma senha ou código para retirada de seu produto, que geralmente já se encontra encerrado em caixas ou equipamentos que os liberam assim que essas senhas são fornecidas.

A modalidade de “click and collect”, na qual o consumidor pode adquirir produtos online, paga-los e posteriormente retira-los em lojas físicas, também é uma tendência adotada com sucesso por algumas das maiores redes de varejo do mundo hoje em dia, entre elas o Walmart. Nesses casos, o esforço de logística passa a ser de reposição na loja em questão, o que pode ser mais facilmente programado e compartilhado com outros itens e volumes.

Entregas noturnas também contornam horários de pico e restrições de circulação para operadores logísticos e veículos de carga e, na verdade, se mostram hoje em dia muito mais convenientes para a maioria dos clientes, que obviamente não podem receber pessoalmente equipamentos, móveis e aparelhos –  cargas para as quais o cliente prefere acompanhar o processo de entrega e instalação.

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