Concreto – corrida contra o tempo em transportes

Concreto usado na construção civil tem validade curta

Agora que a atividade de construção civil deu uma amansada, eles parecem estar rareando mais, porém ao longo dos últimos três anos, quase todos os dias víamos nas ruas uma ou mais betoneiras. Para quem não sabe, as betoneiras na verdade são o equipamento que segue como implemento em caminhões que transportam concreto de centrais que fazem a mistura até os canteiros de obra. Entretanto, para nós que vemos o caminhão passando aqui ou ali, não ocorre que todos eles estão em uma frenética corrida contra o tempo. Por norma ABNT, concreteiras têm no máximo 150 minutos para entregar a mistura na obra contratante, mas com um agravante: desse tempo, 30 minutos são calculados para a descarga do volume de concreto e mais 30 minutos para sua aplicação. Em outras palavras: betoneiras não podem permanecer mais de 90 minutos circulando pelas ruas.

A razão, na verdade, é muito simples – concreto endurece e, caso o faça dentro do equipamento do caminhão, além de se tornar inútil para o cliente ainda causará prejuízos ao equipamento. É um desafio logístico que não enxergamos em nosso dia a dia. Caminhões betoneira precisam ter mais tecnologia embarcada do que apenas o implemento que mantém o concreto em movimento – aditivos para impedir sua secagem, sensores e outros. Além disso, o trânsito cada vez mais caótico nas capitais exige que cada operação de entrega seja previamente calculada em termos de horário e percurso.

Há apenas estimativas sobre o número de concreteiras no Brasil. Ele é grande e diretamente proporcional ao tamanho do país. Basta vez que, em razão das enormes distâncias a serem percorridas, praticamente qualquer cidade de médio porte deve possuir uma ou mais centrais, de forma a garantir a entrega em 90 minutos. Para regiões isoladas – como a construção de hidrelétricas e obras de infraestrutura em zonas rurais, é comum a instalação de centrais provisórias de concretagem apenas para atendimento da obra. Caso contrário, não há como entregar o concreto da maneira exigida pelas normas e a tempo.

O implemento

Os tambores dos caminhões betoneira possuem pás internas que mantém o concreto em constante rotação e mistura, a exemplo do que ocorre nas próprias centrais que fazem a mistura original e distribuição do insumo. Nas centrais, o concreto é misturado a uma velocidade de 12 a 14 rotações por minuto, sendo que uma vez embarcado no caminhão, tem essa velocidade reduzida para 2 ou 3 rotações por minuto. Quando o volume chega na obra onde será entregue e bombeado, o implemento do caminhão faz novamente uma agitação do concreto a uma velocidade maior, por alguns minutos, antes de descarregar. Não há espaço para erros.

Imprevistos no transporte de concreto

É claro que ocorrem imprevistos no transporte desse tipo de carga. Contudo, centrais de concretagem devem prever até mesmo o “imprevisto” para garantir a entrega a seus clientes e, no caso de problemas, o descarte do volume antes que haja danos ao caminhão. É comum haver o descarte total do volume transportado quando ocorrem adversidades simples, como pneus furados ou problemas mecânicos nos caminhões. Por essa razão, a necessidade de manutenção e vigília em veículos que trafegam com esse tipo de carga costuma ser até mais rígida do que em transportadoras tradicionais.

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thiago.paim@cargobr.com
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