Cargas especiais – também há limites para os gigantes

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publicado: 1/07/2014
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Cargas especiais necessitam de um planejamento detalhado

O mercado logístico é um segmento no qual a precisão é exigida e a legislação é igualmente precisa e irredutível. Há limites claros para tamanho e capacidade de carga em caminhões e carretas e, para tudo aquilo que não se enquadra nas operações costumeiras, usa-se o apelido de cargas especiais, ou “heavy lift”, como são conhecidas no setor. Contudo, mesmo para essas cargas gigantescas e ditas “indivisíveis”, há limites claros de dimensões e peso, e também de circulação, já que não é uma missão simples passar com esses volumes por muitas de nossas estradas.

Alguns tipos de equipamentos e cargas extrapolam os limites do razoável para embarque em caminhões de cargas especiais. Principalmente no ramo de infraestrutura, algumas peças e itens de obras monumentais têm de chegar em canteiros de obras, ou ser entregues em portos, usando estradas e rodovias. Prevendo isso, a categoria de especiais foi criada, dando alguma flexibilidade para empresas que transportam essas peças. Contudo, uma resolução de 2005 regulamenta também os limites para caminhões com esse tipo de carga: eles podem ter largura de até 4,5 m, altura de 5,5 m e comprimento de 25 m. O peso bruto total máximo também varia de acordo com a estrada – para rodovias estaduais, um máximo de 45 toneladas, enquanto que para federais o peso pode chegar a 70 toneladas.

Essa peças não podem ser transportadas em contêineres, o que faz com que além de seu peso extremo, haja a necessidade de caminhões especiais para o transporte, com semirreboques diferenciados, além de aparatos específicos no intercâmbio de modais, ocorra ele em pátios de ferrovias ou áreas portuárias. Dentre essas cargas especiais, podemos citar turbinas e reatores, grandes peças pré-fabricadas de concreto, segmentos de pontes e viadutos, transformadores, caldeiras e outros.

Sem muito onde ir

A grande maioria das viagens com cargas desse tipo são feitas até portos preparados para recebê-las. Não são muito comuns, por sinal. O Porto de Santos, no Brasil, ainda é o mais bem equipado para lidar com o embarque e desembarque desse tipo de mercadoria, mas portos como o de Vitória e o do Rio de Janeiro são frequentemente utilizados por mineradoras, siderúrgicas e empresas do segmento de geração de energia para desembarcar grandes equipamentos importados, em razão da conexão desses terminais com ramais ferroviários.

Não há “jeitinho” para transportar cargas especiais – no ato de encomenda de uma máquina que precise desse tipo de serviço, empresas costumam realizar estudos de viabilidade que analisam a fundo as capacidades de chegada do equipamento até seu destino, estudando aspectos como a largura das estradas, número de curvas, grau de inclinação, entre outros. Todo o caminho até o destino tem de ser roteirizado. Em uma segunda etapa, a carga e o veículo de transporte são dimensionados, para permitir o transporte do equipamento dentro dos limites estabelecidos por lei. Embora essas cargas sejam tecnicamente indivisíveis, é muito comum a retirada de componentes mais pesados em reatores ou máquinas, para permitir que os mesmos sejam transportados com folga. Para prevenir problemas em balanças rodoviárias, carga e veículos são geralmente pesados antecipadamente.

Quando tudo está “pronto”, ainda é preciso contratar batedores e empresas de acompanhamento da carga, bem como agendar todas as travessias necessárias – alguns trechos ou locais exigem o fechamento de pistas ou passagem em canteiros e acostamentos, que serão liberados e controlados pela polícia rodoviária e concessionárias.

 

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