Aeroportos regionais no alvo dos investimentos

Aeroportos regionais devem receber investimentos

Como viajantes e passageiros de voos, no Brasil, mesmo quando utilizamos o meio de transporte com imensa frequência, somos capazes de nos lembrar de talvez 15 ou 20 diferentes aeroportos, quando muito. Geralmente os associamos às capitais de cada estado e, no estado no qual residimos, por vezes nos lembramos de mais um ou dois aeroportos em cidades de tamanho razoável. Pois bem, a rede aeroportuária brasileira conta hoje com 270 aeródromos públicos – o que inclui aeroportos e áreas de pouso e decolagem preparadas para receber aeronaves com alguma frequência. No total, as autoridades brasileiras contabilizam 689 aeroportos, incluindo pistas particulares e aeroportos mistos.

Uma primeira fase do plano de investimentos do governo reservou R$ 7,3 bilhões para aplicação nos aeroportos e, muito embora a maioria dos recursos deva ser aplicado em terminais já conhecidos, muitas cidades de pequeno porte deverão receber alguma infraestrutura para manuseio e recebimento de cargas nos próximos anos – uma boa notícia para quem lida com cargas expressas e utiliza serviços de transporte rápido.

A conta parece simples – com o dinheiro levantado a partir de concessões em aeroportos de maior porte, como Galeão (RJ) e Confins (MG), o governo quer ampliar a base de aeroportos aptos a passageiros e cargas. Os investimentos em aeroportos concedidos à iniciativa privada também deve ultrapassar os R$ 11 bilhões numa primeira fase.

Pulverização

Os maiores investimentos, contrariando um pouco a lógica de distribuição que conhecemos, irá para as regiões Norte e Nordeste. R$ 1,7 bilhão serão investidos em 67 terminais da Região Norte e mais R$ 2,1 bilhões em 64 terminais na Região Nordeste.

Na Região Norte, destaque para terminais pouco utilizados, mas de localização estratégica, como Araguaína e Gurupi, em Tocantins, São Félix do Xingu e Paragominas, no Pará, e Tefé, no Amazonas.

Na Região Nordeste, importantes centros industriais e de agronegócios podem receber investimentos para melhoria do sistema de cargas, entre eles Petrolina e Caruaru, em Pernambuco, Barreiras, Feira de Santana e Vitória da Conquista, na Bahia, Campina Grande, na Paraíba, Imperatriz e Balsas, no Maranhão, Sobral e Crateús, no Ceará e Mossoró, no Rio Grande do Norte. Todas cidades de médio porte com intensa atividade econômica, mas difícil acesso rodoviário em geral, com estradas em estado de conservação duvidoso, e pouco ou nenhum acesso via áerea.

Isenções

Tarifas aeroportuárias também serão suspensas em muitos dos aeroportos do interior brasileiro – outra excelente notícia tanto para quem lida com voos comerciais como com cargas. Em todos os aeroportos com movimentação de passageiros inferior a 1 milhão de pessoas ao ano – a grande maioria – empresas estarão isentas do pagamento de tarifas de uso.

O mais provável é que a diferença de custo entre fretes aéreos e rodoviários continue considerável, mas no caso de algumas cidades de pequeno e médio porte no interior dos estados, a redução nos custos de envio somada às vantagens da entrega just in time, tornará viável o trânsito de mercadorias, em especial de alto valor e pequeno porte, por rotas aéreas hoje praticamente inexistentes. O processo de modernização, contudo, deve demorar. É improvável que grandes mudanças ocorram nos próximos dois ou três anos, mas para empresas que realizam planos plurianuais, tais aeroportos já começam a entrar no cronograma e no planejamento.

Hoje, o número de aeroportos que recebem voos regulares de empresas aéreas, com datas e horários marcados, somam cerca de 130, dos quais apenas 100 ou menos operam algum volume relevante de cargas. Com o sucesso do programa, a expectativa é que o frete aéreo possa atingir, em um horizonte de menos de uma década, pelo menos o dobro de localidades com aeroportos minimamente preparados para o manuseio e estocagem de cargas.

 

 

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